Esqueça as torres brilhantes por um momento.
Vá para oeste. Passado o centro. No bairro Yungay. Foi fundada em 1839. Logo após a independência. Nomeado após a Batalha de Yung, onde o Chile esmagou a Confederação Peru-Boliviana.
Parece mais velho. Mais pesado.
“Resiliência” é o tema aqui.
Há uma estátua de bronze do Roto Chileno na Plaza Yungay. Não é um herói a cavalo. Apenas o cara comum. O sobrevivente. Os tipos mais ricos mudaram-se no século XIX, criando raízes em meio a uma mistura selvagem de estilos. Neoclássico. Art Déco. Relíquias coloniais da Adobe.
Depois, há as “cidades”. Complexos residenciais estreitos que compartilham um pátio que funciona como corredor. Pasaje Adriana Cousiňo é a mais bonita. Pintado de azul. Pintado de rosa. As pessoas moram lá. Na verdade, viva. Não são bots do Airbnb. Vá tomar chá na Tetería Cleopatrix. Faça carinho em alguns gatos. É permitido.
Mais tarde, quando “Sanhattan” explodiu no leste, Yungay foi ignorado. Cascas de tinta. Clima dos edifícios. Mas um pulso boêmio permanece. Zumbido político. Arte de rua. O ex-presidente Gabriel Boric morava aqui mesmo na rua Huérfanos. Por que se esconder?
A memória vem em primeiro lugar
Faça as coisas difíceis primeiro.
Antes de entrar no labirinto colorido, visite o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Está no limite. Essencial. Brutal. Você tem que entender Pinochet. 1973 a 1990. Tortura. Desaparecimentos. As famílias ficaram à espera de fantasmas. É pesado. Duas horas no mínimo. Talvez três.
Após? Caminhe até ao Parque Quinta Norma. Respirar.
Ao lado fica o Museu Nacional de História Natural. É grátis. Biodiversidade. Achados da paleontologia. Flora e fauna. O problema? Tudo está em espanhol. Sem audioguia. Traga um aplicativo de tradução ou você estará apenas vendo fotos borradas de bugs.
Vá embora
Agora entre em Yungay propriamente dito.
Basta caminhar. Olhe para cima. A arte de rua aqui não serve apenas para decorar; ele grita. Gabriela Mistal divide espaço com Ana Gonzalez de Recarren. Outro mural captura o cacerolazo – batendo panelas nas varandas. Um som de protesto. Começou na década de 70. Retornou em 2019. Pessoas irritadas. Custos crescentes. Desigualdade.
Victor Jara também é homenageado em mosaico. O cantor folclórico. O ativista. Torturado e assassinado. Você não pode passar por essas imagens e não sentir isso.
Em outros lugares, os chinchineros – músicos de rua com tambores amarrados nas costas – são imortalizados em paredes de tijolos. Motivos do povo Mapuche reaparecem. Da ilha de Chiloé, no extremo sul. Natureza e mito colidem.
Ajuda ter um guia. Hector conhece suas coisas. Ele sabe onde os corpos estão enterrados metaforicamente falando. Ele também sabe onde comer.
Comida com alma
Todo mundo diz para ir a Lastarria comer. Ignore-os.
Yungay tem ossos.
A Peluqueria Francesa se esconde atrás daquela que afirma ser a barbearia mais antiga do mundo. Inaugurado em 1868. Ainda cortando cabelo. O arquivo ao lado é bacana, claro, mas a comida é que chama a atenção. O chileno encontra o francês. Reconfortante. Promoções diárias baratas. Eles servem café da manhã. E “uma vez” – o jantar leve chileno com sanduíches e bolo. Música ao vivo toca. Desordem vintage em todos os lugares. Sentar. Ficar. Beba Pisco sours até a última chamada.
Quer algo mais rápido? Experimente o Espacio Garola. Vibração de mansão vitoriana. Arte lá em cima. Chorilanas abaixo. Batatas fritas afogadas em cebola. Tiras de carne. Ovos. Existem locos mayonesa também. Abalone chileno. Mas honestamente? Peguei uma empanada de pino no pátio. Carne. Ovo. Azeitona.
Observe o caroço da azeitona.
Você sai com graxa nas mãos e a cidade zumbindo atrás de você. O que mais há para dizer?
























