US$ 400 milhões. Foi isso que o Qatar abandonou para o “novo” Air Force One de Trump. Chame-o de palácio voador. Chame isso de presente. O rótulo não importa tanto quanto o destino. Quando Trump deixa o cargo, o avião vai para a sua biblioteca. Não fica com a Força Aérea. O dinheiro do contribuinte foi para a reforma, claro. Mas o bem pertence a ele.
Semanas depois, a ótica fica complicada. Trump está na Turquia para uma cimeira da NATO. Ele voa no jato novinho em folha. Todos esperam que ele voe de volta da mesma maneira.
Ele não sabe.
“Em nome dos velhos tempos… pensávamos que eles [os militares] deveriam ser os primeiros.”
Esse é o giro. Ele está enviando o novo jato para a Base Aérea de Mildenhall, no Reino Unido, para que as tropas façam um tour. Enquanto isso, ele embarca no velho Air Force One para voltar da Turquia. Altruísta? Claro que parece nas redes sociais. Um pequeno sacrifício pelos bravos heróis dos Estados Unidos.
Mas vamos olhar mais de perto.
O novo jato não está pronto. Na verdade. Existem dois Boeing 747-8I atualmente sendo configurados para uso presidencial. Eles estão anos atrasados. Bilhões acima do orçamento. Por que? Porque transformar um avião numa fortaleza requer sistemas de segurança que levam tempo. Muito tempo. Trump não tinha isso. Ele não gostou dos atrasos. Ele não queria esperar até 2025.
Então ele se apressou.
O jato Qatar juntou-se à frota um ano após o anúncio. Isso é rápido. Suspeitamente rápido para um avião que transportava o comandante-em-chefe. Os protocolos de segurança padrão geralmente não são cortados. Mas talvez fossem. Ou talvez o escopo tenha diminuído. A questão é que o avião que o levou para a Turquia provavelmente não passou por alguns dos rigorosos e caros endurecimentos pelos quais os outros jatos estão passando.
Então o conselho geopolítico muda. O cessar-fogo com o Irão desaparece. As tensões aumentam. O espaço aéreo perto da Turquia torna-se menos previsível.
De repente, o avião “velho” parece mais seguro. Não por nostalgia. Porque está comprovado. O novo jato não foi testado em zona hostil. Tem o estilo. O luxo de que Trump se vangloriava. O “nível de luxo que ninguém jamais viu”.
Tem substância para uma zona de conflito? Essa é a verdadeira questão.
Ele está pilotando o novo avião para Mildenhall. Por que aí? É seguro. A Europa Ocidental está estável. Não, Irã. Nenhuma ameaça imediata. Ele estaciona seu projeto de vaidade onde os militares podem ficar boquiabertos, enquanto ele volta para casa com um hardware que foi construído quando a segurança era a única métrica que importava.
Estilo acima da substância. Não é apenas uma frase aqui. É o plano de vôo.
Ele continuará fazendo esses “sacrifícios” quando o destino ficar mais arriscado? Provavelmente. A narrativa se mantém melhor do que a lista de verificação de segurança. Por agora. Até a próxima manchete aparecer.
